quarta-feira, 30 de maio de 2007

Mamíferos europeus em perigo de extinção

Lince Ibérico
Uma em cada seis espécies europeias de mamíferos estão em vias de extinção indica estudo da União Mundial de Conservação. Na Europa, Lince Ibérico é classificado como ‘Criticamente em perigo’.

No Dia Mundial da Biodiversidade, assinalado no passado dia 23 de Maio, foi apresentado um estudo de avaliação sobre todas as espécies de mamíferos na Europa, o qual foi desenvolvido pela União Mundial de Conservação (UMC) e encomendado pela Comissão Europeia.

Os resultados do estudo indicam que são muitas as espécies de mamíferos actualmente em perigo na Europa e que muitas destas apresentam uma diminuição da população. De acordo com os dados, 27% dos mamíferos apresentam um declínio de população e 33% tem uma tendência populacional desconhecida.

De entre as espécies classificadas como ‘Criticamente em perigo’ encontram-se o Lince Ibérico, que conta apenas com 150 indivíduos e a Foca Monge do Mediterrâneo com apenas 350 a 450 indivíduos. Para além destas, na categoria das mais ameaçadas aparecem ainda a Raposa do Ártico e o Mustela Lutreola.

Mustela Lutreola
Mas se a situação dos mamíferos terrestres é avassaladora, os especialistas indicam que as espécies de mamíferos marinhos da Europa vivem ainda uma situação mais perigosa.

De acordo com os dados do relatório, 15% (quase um em seis) dos mamíferos europeus estão em perigo, no entanto, esta percentagem aumenta para os 22% no que se refere aos mamíferos marinhos, classificados como ‘Em ameaça de extinção’.

Dados que os especialistas apontam poderem ser ainda piores, se se considerar que do total das espécies, 44% não foram classificadas devido à falta de informação.

De entre as principais causas para a redução da população de determinadas espécies de mamíferos, os especialistas apontam a degradação do habitat, a desflorestação, a drenagem de águas e colheitas agrícolas.

O estudo vem disponibilizar ‘background’ para que políticos europeus tomem medidas de conservação da biodiversidade de forma efectiva. Stavros Dimas, Comissário Europeu para o Ambiente diz, citado em comunicado da UCM que, “os resultados do relatório destacam o desafio que enfrentamos actualmente para travar a perda da biodiversidade em 2010, como os governos europeus tinham prometido…

É óbvio que a completa implementação da ‘Directiva dos Habitats’, que cobre quase todos os mamíferos que se encontram ameaçados nesta avaliação, é da maior importância para proteger as espécies na Europa”.

Texto adaptado do artigo escrito por Lúcia Vinheiras Alves para a TV Ciência a 23/05/2007.


Fiquem bem...

(A Mónada)

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Oceano Austral está a perder capacidade de absorção de CO2


Depósitos oceânicos de gases de efeito de estufa absorvem menos do que se pensava, anunciam cientistas na revista Science. Uma tendência que a manter-se vai dificultar os esforços de diminuição de CO2 da atmosfera.

As alterações climáticas estão a ter um forte impacto na forma como os gases de efeito de estufa são naturalmente absorvidos pelos oceanos. Cientistas do Max Plank Institute, na Alemanha, apresentam um estudo, na edição de 18 de Maio da revista cientifica Science, que indica que oceanos não estão a absorver o dióxido de carbono ao ritmo expectável.

Devido ao aquecimento global, os cientistas indicam que o Oceano Austral está a perder a capacidade de absorção dos gases de efeito de estufa, enquanto os níveis de emissões continuam a aumentar.

«Pensávamos que só seríamos capazes de detectar isto apenas na segunda metade deste século, em 2050 ou por ai», afirma Corinne Le Quéré, autora principal do estudo, citada pela agência noticiosa Reuters.

Isto porque, até agora pensava-se que o Oceano Austral absorvia 15% dos gases de efeito de estufa produzidos pelo Homem e se agora está a perder a capacidade de absorção e as emissões não reduzirem rapidamente, os efeitos negativos destes gases para o aquecimento global são ainda mais perigosos.

No estudo, publicado na Science, os cientistas indicam que obtiveram dados a partir de 11 estações de monitorização costeira no Oceano Austral, para perceberem a quantidade de dióxido de carbono que estava a ser absorvido.

Os dados do estudo revelam que, por cada 10 anos a capacidade de absorção do Oceano Austral reduz em 0,08 giga toneladas, em comparação com aquilo que os cientistas esperavam. Uma quantidade diminuta quando comparada com os níveis emitidos pelo Homem anualmente, cerca de 8 giga toneladas.

Os cientistas indicam que a redução da capacidade de absorção do oceano deve-se ao aumento dos ventos nos últimos 50 anos. De acordo com a Reuters, os cientistas referem que «estes ventos misturam o CO2 ao longo do Oceano Austral, misturando o carbono que ocorre naturalmente e que normalmente fica depositado no fundo do mar juntamente com o carbono produzido pelos humanos».

Porque os ventos fortes trazem o carbono natural à superfície da água, os especialistas explicam que é difícil para o oceano absorver mais carbono. Mas na origem deste fenómeno está também ‘a mão humana’, já que o aumento dos ventos é provocado pela destruição da camada do ozono e as altas temperaturas que as alterações climáticas provocaram a Norte do planeta comparativamente com as verificadas no Sul.

«Desde o início da revolução industrial que os oceanos do mundo absorveram cerca de um quarto das 500 giga toneladas de carbono emitido para a atmosfera pelos humanos», afirma Chris Rapley, do British Antarctic Survey, citado pela Reuters.

O especialista adianta que, «a possibilidade de num mundo mais quente o Oceano Austral – o depósito oceânico mais forte – enfraquecer, é uma causa para preocupação».

Texto adaptado do que foi publicado na TV Ciência pela jornalista Lúcia Vinheiras Alves a 18-05-2007.
(A Mónada)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Tecnologias para inverter alterações climáticas já existem

Apresentado o terceiro relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, com vista à ‘Mitigação das Alterações Climáticas’, onde especialistas indicam que medidas efectivas têm de ser tomadas nas próximas décadas para diminuir as emissões dos gases de efeito de estufa para a atmosfera.

De acordo com as conclusões deste relatório, os cientistas revelam que é possível, com tecnologia já existente, diminuir as emissões de gases de efeito de estufa a custos comportáveis. Nele explica que os cientistas construíram vários cenários para o futuro, e concluíram que se nada for feito, e se os níveis de emissões de gases de efeito de estufa continuarem ao ritmo actual, em 2030 as emissões aumentarão entre 25% a 90%, levando a que os níveis de aquecimento global atinjam limites preocupantes. Neste sentido, para limitar a média de aquecimento global a 2 graus Celsius acima do nível pré-industrial, é necessário, até 2050, um corte das emissões de gases de efeito de estufa em 50%, comparativamente com os níveis actuais.

Um cenário que os especialistas dizem que pode ser obtido a um custo abaixo dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2030. «Este importante relatório do IPCC confirma que reduções significativas nos gases de efeito de estufa são essenciais e urgentes», refere Stavros Dimas, Comissário Europeu para o Ambiente, acrescentndo que o relatório «reconhece que as tecnologias e políticas para alcançar estes cortes já existem, por isso, não há qualquer desculpa para esperar. As conclusões do Painel apoiam claramente a posição da União Europeia, de que os países desenvolvidos têm de reduzir as emissões até 30% abaixo dos níveis em 1990 até 2020 e que as emissões globais têm de diminuir a metade em 2050, para termos boas possibilidades de limitar que o aquecimento global suba 2ºC acima dos níveis pré-industriais».

Stravos Dimas não tem dúvida que, «é altura de o resto da comunidade internacional seguir o nossa direcção e comprometer-se com alvos de redução ambiciosos», sendo que, «negociações para um novo acordo global sobre alterações climáticas têm de ser lançadas na próxima conferência ministerial das Nações Unidas em Dezembro».


Texto adaptado do de Lúcia Vinheiras Alves da TV Ciência


Esperemos que se faça mesmo qualquer coisa a partir de agora.

Não se pode esperar mais.


Pela nossa "mãe" Terra.


Fiquem bem.
(A Mónada)